6
jun
2017
14

Os anos de ouro dos meus estudos

Comecei a gostar de estudar por volta dos meus 15 anos, quando deixei de desenhar super heróis e peguei gosto pelo estudo da bíblia e da história.

Aos 17 anos eu passava horas na biblioteca pública lendo livros de filosofia e copiando trechos da vida e obra de alguns pensadores. Não lembro de me pegar pensando se aquilo teria alguma utilidade, apenas ficava cada vez mais encantado pelas ideias de cada filósofo.

Não demorou muito para eu decidir que iria fazer filosofia e não passava muito pela minha cabeça qual seria o retorno financeiro dessa escolha, porque sabia que minha dedicação era acima da média e o conhecimento era algo que me bastava. Obviamente, como jovem, eu me iludia com a possibilidade de ser um grande filósofo. Meus pais não tinham o mesmo entusiasmo, mas também não se opuseram a minha escolha.

Entrei no curso de filosofia da UFPR em 2002 e logo me decepcionei com o nível dos colegas de curso. Parece que a maioria não levava o curso tão a sério e muitos estavam ali encarando o curso como uma segunda opção ou um hobby. Mesmo assim, gostava da aula de alguns professores, inclusive de um marxista, pois na época eu nutria certa ilusão pela política.

Meu gosto por estudar se intensificou cada vez mais e apesar de ganhar pouco dinheiro lavando e vendendo carros para o meu pai (cerca de 200,00 mensal), eu me virava bem com essa grana e ainda comprava alguns livros por mês.

Eu já tinha um certo gosto pela física, lendo alguns livros do Stephen Hawking e outros físicos, e na metade do curso de filosofia eu já estava tentado a mudar de curso, em partes pela minha decepção com o curso de filosofia e em partes porque eu queria realmente entender as equações que descreviam o comportamento da natureza e do universo. Ser autodidata não iria adianta muito nesse caso e eu sabia que com a filosofia eu poderia me virar sozinho.

2002 foi um dos anos mais ricos da minha vida. Eu tinha interesse em estudar um pouco de tudo, desde psicologia, sociologia, até matemática, física, política e economia. Minha segunda opção de curso era economia, pois na época tinha lido quase todo manual de economia da usp. Ao mesmo tempo me dedicava a estudar matemática, pois tinha desprezado completamente a matemática nos meus tempos de colégio.

Passei 10 anos da minha vida estudando física e não me arrependo de ter abandonado meu doutorado no final para estudar nutrição. Não me arrependo de ter escolhido a filosofia lá no início, pois é algo que fará parte da minha vida até o fim. Passei anos estudando muitas coisas que hoje parecem não ter nenhuma utilidade e das quais vagamente lembro, mas fiz tudo isso com paixão. Eu quis assim e tudo isso reflete no que sou hoje.

abraços, Dudu Haluch

2 Comentários

  1. Lucas Nable

    Acho que isso faz parte da composição do seu perfil, na sua vivência em diversos cursos você acaba extraindo implicitamente o que aprendeu e aplicando no que gosta. É muito interessante a história de cada pessoa, eu tomei esse gosto por estudo apenas aos 19 anos o que não me rendeu uma boa faculdade, porém corri atrás dos anos perdidos quando mais jovem, não me arrependo de nada, acho que isso ajudou a formar meu caráter, pois ia muito para rua e aprendi muita coisa.

    Abs irmão.

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