11
jul
2018
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NÃO FAÇA DIETA ESTRESSADO (DUDU)

Indivíduos que sofrem de estresse não deveriam ser aconselhados para uma dieta para perda de peso sem antes cuidar e gerenciar o estresse emocional. Não estou falando aqui de fadiga adrenal, até porque isso não existe. Estou falando do estresse psicológico decorrente da vida diária, de uma rotina estressante, seja no trabalho ou no convívio social e familiar. Uma dieta restrita e a perda de peso já elevam os níveis de cortisol. Não se sabe se esse aumento do cortisol é um problema, porque é esperado fisiologicamente que esse hormônio aumente com o jejum e a restrição calórica.

O cortisol aumenta a degradação de proteínas musculares para fornecer aminoácidos para a síntese de glicose no fígado (gliconeogênese). A gliconeogênese aumenta com o jejum e a restrição de calorias porque nosso cérebro precisa de um fornecimento constante de glicose. Esse é um dos motivos porque precisamos aumentar as proteínas em uma dieta restrita se queremos preservar ao máximo nossa massa muscular (~2,0 – 3,5 g/kg).

No entanto, o cortisol também é um hormônio catabólico no tecido adiposo, aumentando a lipólise (degradação de gordura). O cortisol aumenta a degradação de triacilgliceróis em ácidos graxos e glicerol (lipólise), mas ele também pode favorecer um acúmulo de gordura na região do tronco, como podemos observar em pessoas que sofrem de estresse crônico, síndrome de Cushing ou indivíduos que tomam corticoides frequentemente.

Níveis elevados de cortisol também aumentam a resistência à insulina, a fome e a retenção de sódio e água. Esse último efeito se deve a ligação do cortisol no receptor de aldosterona, hormônio que aumenta a retenção de sódio.

Uma dieta para perda de peso além de aumentar os níveis de cortisol, também aumenta o estresse psicológico. Esse estresse psicológico é devido ao monitoramento constante da dieta, como a pesagem das refeições e o controle rigoroso da frequência alimentar. Para piorar, dietas da moda e terrorismo nutricional agravam o problema, pois impõem ao indivíduo restrições alimentares desnecessária e contraprodutivas. Restringir da dieta um alimento que você gosta é um fator que aumenta o estresse.

Considerando esses fatores, não seria aconselhável para alguém passando por estresse crônico emocional fazer uma dieta para perda de peso. O excesso de cortisol pode aumentar a perda de massa muscular e a fome, além de dificultar a perda de gordura e aumentar a retenção hídrica. Isso não quer dizer que o indivíduo deve ligar o foda-se para a alimentação e sim evitar uma dieta para emagrecimento e restrições de grupos alimentares de forma extremista (glúten, laticínios etc). Antes de entra em um processo de perda de peso, seja visando saúde ou estética, procure estratégias para reduzir seu estresse.

abraços, Dudu Haluch

Low Calorie Dieting Increases Cortisol
A. Janet Tomiyama et al.

Obesity and cortisol.
Björntorp P, Rosmond R.

O essencial em Endocrinologia

Tratado de obesidade

Fisiologia endócrina.

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