19
set
2016
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GH – PERFIL (DUDU)

O hormônio do crescimento (GH) é um hormônio peptídico formado por 191 aminoácidos e produzido na glândula hipófise (pituitária). A secreção de GH é controlada por diversos fatores hormonais, nutricionais, metabólicos e neurogênicos, entre os quais os mais importantes são o GHRH (Hormônio libertador de GH) e a somatostatina (Hormônio inibidor de GH), que são liberados de forma sincronizada pelo hipotálamo. O fator mais importante para a liberação de GH é o sono profundo, durante o qual ocorre cerca de 70% da liberação de GH. Outros fatores que estimulam a liberação de GH são o jejum, a hipoglicemia, exercícios intensos, a grelina (hormônio da fome secretado pelo estômago e hipotálamo) e alguns aminoácidos como arginina. Entre os fatores que inibem a secreção de GH estão níveis de glicose e insulina elevados, cortisol, obesidade e envelhecimento.

Outro hormônio muito importante associado ao GH é o IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina 1), um hormônio peptídico produzido nos tecidos periféricos – principalmente no fígado (cerca de 90%) – sob estímulo do hormônio do crescimento. O IGF-1 é responsável por mediar os principais efeitos do GH, efeitos anabólicos e de crescimento dos tecidos do nosso organismo, principalmente ossos e músculo esquelético. O IGF-1, como o nome já diz, tem efeitos semelhantes à insulina, aumentando a síntese proteica muscular e a captação de glicose nos tecidos (músculo esquelético e tecido adiposo). Além desses efeitos fisiológicos mediados pelo IGF-1, o GH também possui efeitos metabólicos independentes da ação do IGF, entre os quais o aumento da lipólise (quebra de triglicerídeos no tecido adiposo em ácidos graxos e glicerol) e da queima de gordura (oxidação de ácidos graxos no músculo) e um efeito anti-insulina, inibindo a captação de glicose pelos tecidos, aumentando a secreção de insulina e a gliconeogênese (produção hepática de glicose por aminoácidos, glicerol e lactato). Esse efeito diabetogênico do GH é responsável por aumentar a resistência à insulina. Por seus efeitos anabólicos e lipolíticos o GH é conhecido por aumentar massa magra em pessoas com deficiência de GH, por isso também é muito utilizado por fisiculturistas.

O hormônio do crescimento foi extraído e purificado a partir da hipófise de cadáveres humanos em 1945 e os efeitos benéficos de GH em adultos com deficiência de GH foram observados pela primeira vez em 1962. O hormônio do crescimento passou a ser usado pela primeira vez nos anos 50 para tratar crianças com deficiência desse hormônio. O GH era retirado da hipófise de cadáveres, pois o homem não responde ao GH de outros animais, apenas primatas. Esse tipo de GH (GH-pit) foi proibido em 1985 pela FDA (Food and Drug Administration) devido ao relato de casos da doença de Creutzfeldt-Jakob em alguns pacientes tratados com GH-pit, uma doença cerebral degenerativa rara e fatal. Nesse mesmo ano o GH sintético foi aprovado para uso em humanos e passou a ser usado no final dos anos 80 para o tratamento da deficiência de GH. Mas foi somente nos anos 80 que o GH se tornou popular no fisiculturismo e depois em outros esportes, principalmente pela publicação do livro Underground Steroids Handbook (1982) do guru Dan Duchaine. Na época Duchaine atribuiu grande poder anabólico ao GH e criou tendências do uso de diversas drogas no esporte. Foi somente em 1987 que surgiu o GH recombinante, que era mais seguro que o GH cadavérico. Em 1989 o comitê olímpico Internacional (COI) incluiu o GH em sua lista de substâncias proibidas, mesmo sem um teste de detecção legítimo. Ben Johnson, que caiu no doping pelo uso de estanozolol depois de bater o recorde dos 100 m rasos em SEUL (1988) também admitiu o uso de GH. A droga se tornou muito popular no esporte nos anos 90, sendo que alguns atletas chamaram as olimpíadas de Atlanta (1996) de olimpíada do GH. Alguns fisiculturistas já estavam usando GH no inicio dos anos 80 e é provável que esse hormônio, em conjunto com outras drogas como diuréticos e termogênicos, tenha dado uma importante contribuição para os físicos mais estéticos dessa época.

Atletas gostam de GH devido aos seus efeitos anabólicos e termogênicos, promovendo aumento de massa magra com pouco risco de efeitos colaterais. Tudo parece maravilhoso, mas os estudos não parecem suportar a ideia de que o GH seja um hormônio poderoso para resultados estéticos em indivíduos saudáveis. No entanto, fisiculturistas também parecem concordar que os supostos efeitos poderosos do GH só acontecem quando esse hormônio é combinado com outros hormônios, principalmente esteroides -mas também hormônios da tireoide e insulina – com algum tipo de sinergia que não é bem compreendida.

GH melhora a composição corporal, aumenta a força e auxilia na recuperação de lesões. Embora muitos estudos não mostrem evidências desses efeitos em atletas, GH parece ser a droga de uso mais comum nas diversas modalidades esportivas (ciclismo, triatlon, atletismo, MMA, fisiculturismo, levantamento de peso etc), principalmente por ser de difícil detecção em testes antidoping. Em 2007 a grande indústria farmacêutica Pfizer foi multada em 35 milhões de dólares por promover GH como um agente anti-envelhecimento e de aumento de desempenho. Os testes para detecção do GH começaram antes das olimpíadas de Sidney (2000), mas ainda falta um método de detecção infalível que detecte seu uso por mais de 24h após a última aplicação. GH continua sendo uma droga de difícil detecção pelos testes antidoping, Embora existam alguns casos de detecção recentes, incluindo dois atletas paraolímpicos em 2012.

As doses usadas por atletas são muito variáveis, mas devido ao alto custo as doses mais comuns variam de 2 a 4 UI por dia, enquanto atletas de elite chegam a usar até 20-30 UI por dia. Apesar de fisiculturistas de elite abusarem de diversas drogas, parece ser muito claro para atletas experientes e treinadores que o abuso de GH seja um dos principais responsáveis pelo volume (em conjunto com insulina e esteroides) e qualidade muscular desses atletas. Os principais efeitos colaterais de GH são aumento da resistência à insulina, retenção de hídrica, dores nas articulações e síndrome do túnel de carpo. Esses efeitos são mais comuns em doses excessivas.

abraços, Dudu Haluch

1 Comentário

  1. Breno Acker

    Dudu, boa noite! Primeiramente queria dizer que sou muito seu fã e que admiro demais seu trabalho. Sobre o GH, já li em alguns lugares que dizem que ele faz a multiplicação celular. Caso um individuo com histórico de câncer na família utilizar o GH, uma célula cancerigena que não foi manifestada pode ser multiplicada até a geração de um câncer? Abraços!

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