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ago
2018
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Estratégias para emagrecimento, aderência e metabolismo

Estratégias como jejum intermitente, low carb, aeróbico em jejum e restrição de carboidratos em um período do dia (manhã ou noite) não se mostram superiores às estratégias convencionais, como aeróbico sem jejum, comer frequentemente e dieta low fat (segundo a maior parte das evidências). Para os profissionais mais conservadores isso pode significar que elas são inúteis e não deveriam ser utilizadas.

No meu ponto de vista esse tipo de mentalidade também é equivocada, pois ignora aspectos que muitas vezes não são levados em consideração nos estudos, como resposta individual, aderência e adaptações no metabolismo com a perda de peso. As duas primeiras muitas vezes são levadas em consideração, a última dificilmente. Ou seja, mudar a estratégia de dieta durante um processo de perda de peso pode promover resultados diferenciados comparado ao que seria esperado ao utilizar a mesma estratégia em uma situação normal, quando a pessoa está começando um processo de perda de peso.

As estratégias que ciclam carboidratos e calorias levam em conta essa dinâmica do metabolismo, caso contrário deveríamos apenas defender déficit calórico para todo mundo e aumentar o gasto energético com atividade física. Não há dúvidas que o déficit energético é o mais importante para promover perda de peso/gordura, mas manter o foco apenas nessa estratégia simplista também é um equívoco, pois quanto mais peso se perde, maior são os efeitos das adaptações metabólicas, que tornam o nosso metabolismo mais lento (termogênese adaptativa) e aumentam a nossa fome (redução da leptina, aumento da grelina etc). Essas adaptações fisiológicas dificultam grandes perdas de peso e favorecem o reganho de peso (efeito sanfona).

Isso não significa que estratégias mirabolantes são necessárias para o emagrecimento. No início de um processo de perda de peso o básico funciona muito bem, pois para um indivíduo sedentário e com hábitos alimentares ruins, simples adequações na dieta e prática da atividade física já fazem uma grande diferença, melhorando sensibilidade à insulina, saciedade e promovendo déficit energético. Além disso, uma estratégia que leve a uma mudança radical na dieta tende promover pouca aderência no longo prazo. Estratégias citadas no início podem ser muito úteis no emagrecimento se elas consideram a resposta individual e a aderência.

abraços, Dudu Haluch

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2 Comentários

  1. André

    Low fat “segundo a maior parte das evidências”? Quais evidências?
    Comparação dos estudos sobre as estratégias low carb e low fat para perda de peso, realizada pelo Public Health Collaboration, do Reino Unido, revelou que:
    – low carb foi SIGNIFICATIVAMENTE superior a low fat em 31 de 62 estudos;
    – low carb foi superior a low fat em 53 dos 62 estudos;
    – low fat foi superior a low carb em apenas 7 dos 62;
    – low fat não conseguiu ser SIGNIFICATIVAMENTE superior em nenhum estudo;
    – as duas estratégias empataram em 2 estudos.

    Então, gostaria de saber qual seria essa “maior parte das evidências” para lowfat.

    Segue a fonte: https://phcuk.org/rcts/

  2. Tiago Silva

    Muito bom, Dudu! Sempre tive a “percepção” de que a junção das estratégias de deficit calórico com ciclo de carbos fosse realmente mais eficiente. Confesso que ainda não sei ao certo como planejar um ciclo de carbos e fazê-lo na prática. Seria legal um texto a respeito, se possível. Dúvidas como “de quanto em quanto tempo mexer nas calorias” e “quanto devo aumentar ou reduzir”, continuam sem respostas para mim. Óbvio que está atrelado à parâmetros individuais, mas quais seriam esses parâmetros? Enfim, dilemas.

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