25
jan
2019
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CETOSE OTIMIZA A PERDA DE GORDURA?

Muita gente acredita que fazer dieta cetogênica é uma estratégia mais eficiente para promover perda de gordura do que simplesmente fazer uma dieta hipocalórica. A produção de corpos cetônicos ocorre no fígado em condições de jejum prolongado, em dietas muito restritas em carboidratos (cetogênica) e no diabetes não controlado.

A redução drástica dos carboidratos reduz os níveis de insulina e aumenta os níveis de glucagon, intensificando a lipólise no tecido adiposo (quebra dos triacilgliceróis em ácidos graxos e glicerol). Os ácidos graxos chegam ao fígado em grande quantidade produzindo uma grande quantidade de acetil-coa nas mitocôndrias. O acetil-coa precisa do oxaloacetato para sofrer oxidação no ciclo de Krebs e produzir ATP, mas a restrição de carboidratos limita a quantidade de oxaloacetato. O oxaloacetato também pode ser fornecido por aminoácidos (aspartato, asparagina), mas devido à restrição de carboidratos da dieta o corpo precisa produzir glicose através da gliconeogênese (síntese de glicose a partir de aminoácidos e glicerol), já que alguns tecidos são dependentes de glicose (cérebro e hemácias). A quantidade limitada de oxaloacetato no fígado faz com que o excesso de acetil-coa forme os corpos cetônicos (cetogênese). Os corpos cetônicos são fornecidos para os tecidos extra hepáticos (coração, músculo, cérebro) como fonte de energia alternativa, o que diminui a necessidade de glicose proveniente da gliconeogênese e consequentemente a intensidade do catabolismo muscular.

Quando o indivíduo fica sem alimento a cetogênese prolonga a sobrevivência por reduzir a necessidade de glicose pelo organismo, atenuando o catabolismo de proteínas musculares. Se a cetogênese intensificasse a perda de gordura isso reduziria o tempo de vida do indivíduo já que esgotaria mais rapidamente suas reservas energéticas. Ao invés disso ela é uma adaptação eficiente do organismo para poupar o catabolismo intenso de proteínas quando o indivíduo fica sem alimento ou carboidratos. Se o indivíduos tem muita massa muscular o organismo não vai se preocupar em poupá-la em dietas muito restritas em carboidratos, já que gasta mais energia para se manter músculos.

A cetogênese é um processo de adaptação ao jejum prolongado e à restrição extrema de carboidratos. A maioria dos tecidos do organismo consegue utilizar carboidratos, gorduras e proteínas como fonte de energia, sendo os dois primeiros os principais combustíveis energéticos. Alguns tecidos são dependentes de glicose como fonte de energia (cérebro, hemácias). O cérebro utiliza cerca de 120-150 g por dia de glicose. Com a restrição de carboidratos e alimento o corpo precisa produzir glicose por conta própria e isso é feito através da gliconeogênese, que acontece no fígado e nos rins. Os aminoácidos são provenientes principalmente da degradação proteica muscular, estimulada pelo cortisol. O glicerol é proveniente da lipólise do tecido adiposo, mas os aminoácidos são os principais substratos da gliconeogênese. Portanto, se a gliconeogênese permanecesse elevada por muitos dias, o catabolismo muscular seria intenso e o indivíduo morreria em poucos dias.

A maioria dos tecidos e órgãos consegue utilizar ácidos graxos (gordura) como fonte de energia, sendo esse o principal substrato energético no jejum prolongado e na restrição de carboidratos. O cérebro também consegue utilizar corpos cetônicos e por esse motivo a gliconeogênese é reduzida depois de alguns dias de jejum, quando o cérebro consegue utilizar mais corpos cetonicos (~75%) do que glicose (~25%, cerca de 30-40g por dia) como fonte de energia.

No jejum prolongado a cetogênese prolonga o tempo de vida do indivíduo do organismo, pois atenua o catabolismo de proteínas. Um indivíduo saudável pode sobreviver aproximadamente 2 meses sem alimentos, mas obesos podem aguentar muito mais tempo, devido a maior reserva energética.

Dudu Haluch

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