19
abr
2017
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ADAPTAÇÃO METABÓLICA E REBOTE PÓS-COMPETIÇÃO (DUDU)

“Um grande problema deixado de lado”.

Quando se fala em adaptações metabólicas na perda de peso é muito importante entender porque o “rebote pós-competição” é problemático para um fisiculturista ou qualquer outro atleta que tenha passado por uma dieta muito restrita e excesso de treinamento e drogas que induzam a um gasto energético elevado (como hormônios da tireoide, clembuterol, EC).

Essas adaptações metabólicas incluem redução da taxa metabólica, aumento da eficiência mitocondrial (reduzindo a produção de calor) e alteração nos hormônios que controlam a saciedade e homeostase energética (como redução da leptina). Essas adaptações fisiológicas são adaptações necessárias para a sobrevivência do organismo, são medidas que protegem a rápida perda de reservas energéticas em períodos de restrição calórica, que era comum na maior parte da história da humanidade (hipótese do gene econômico).

Com as adaptações metabólicas o organismo tende a reduzir a eficiência da perda de peso e gordura com o tempo de dieta, e também tende a favorecer o reabastecimento das reservas de energia/gordura nos períodos de abundância de energia. Sendo assim, o grande excesso de comida logo após a competição irá favorecer um grande ganho de peso. Mesmo que a maior parte do peso ganho seja inicialmente retenção hídrica e os esteroides favoreçam um menor ganho de gordura, no decorrer das semanas as condições tendem a se tornar cada vez mais desfavoráveis para a composição corporal e metabolismo do atleta.

Existe um agravamento ainda maior dessa situação de rebote quando o atleta passa por um processo agressivo de desidratação (restrição de água, abuso de diuréticos, sauna, manipulação de sódio e potássio) na reta final de competição. Além disso, as dietas extremistas que levam o atleta a passar muita fome e ficar muito tempo em restrições de alimentos que o agradam, deixam o indivíduo cada vez mais susceptível a desenvolver transtornos alimentares. Há relatos de atletas biquini, wellness, bodyfitness, womens physique e lutadoras de MMA que chegam a ganhar 10-30 kg após o período de competição. Além de depressão pós competição, muitas dessas mulheres simplesmente nunca mais conseguem voltar ao físico de competição.

Muitos homens relatam problemas nas articulações e ficam sujeitos à infecções logo depois da competição. Outros tem problemas com o controle da pressão arterial, que com o ganho excessivo de peso acaba ficando instável.

Essas condições adversas pós competição não acontecem com todos os atletas e o grau de complicação pode ser muito variável, dependendo do metabolismo e experiência do indivíduo e de quão agressivo foi o processo de preparação para a competição.

Entre as medidas preventivas que um atleta deve tomar para evitar esses problemas, a principal é evitar que seu peso de OFF season seja muito distante de seu peso no contest. Isso depende muito da estrutura e metabolismo do atleta, mas uma mulher deveria evitar variações de peso maiores que ~4-7 kg entre o OFF e o contest. Quanto menor essa margem, menores os riscos de sofrer com os problemas pós competição e maior a chance de ser competitivo no longo prazo, pois isso evita adaptações metabólicas agressivas e mantém o percentual de gordura mais controlado. Atletas homens geralmente buscam aumento de peso no longo prazo e é normal que muito tenham uma diferença de peso de OFF para contest de mais de 15-20 kg. No entanto, se você compete em uma categoria mais leve de peso uma variação grande de peso tende a ser prejudicial.

Outras medida muito importante é evitar um déficit calórico muito elevado (dieta muito hipocalórica), excesso de volume de treinamento (horas diárias de aeróbico) e abuso de termogênicos. Se o seu peso estagnou com esses excessos é porque tem algo errado e o abuso desse tipo de estratégia é geralmente falta de um tempo adequado de preparação e falta de conhecimento e experiência do coach. Seguir uma dieta monótona e que não dá prazer é outro problema grave, que pode levar o atleta a desenvolver compulsão alimentar, agravando muito o efeito rebote pós competição.

Para finalizar, o método de desidratação não deve ser agressivo e geralmente muitos atletas e treinadores tentam compensar na finalização a falta de condicionamento que deveria ser atingido com a dieta. Mais importante ainda, o atleta deve ser prudente e não chutar o balde logo após a competição. Deve manter uma rotina de treino e cardio leve e mesmo que saia da dieta, deve manter a consistência na maior parte do tempo. Claro que isso será muito mais difícil se ele seguiu um protocolo de preparação extremista no pré-contest. Os termogênicos devem ser retirados gradualmente e a suspensão imediata do uso de hormônios não deveria ser imediata, pois isso tende a favorecer uma piora mais rápida da composição corporal. Um acompanhamento médico se faz muito importante para avaliar a situação do atleta nesse período problemático.

FONTE: Dudu Haluch

Physiological adaptations to weight loss and factors favouring weight regain
F L Greenway

Changes in Energy Expenditure with Weight Gain and Weight Loss in Humans
Manfred J. MüllerEmail authorJanna EnderleAnja Bosy-Westphal

Long-Term Persistence of Hormonal Adaptations to Weight Loss
Priya Sumithran, M.B.,

abraços, Dudu Haluch

2 Comentários

  1. Rodrigo

    Sei que não é foco do seu blog, mas em relação aos gordinhos (pessoas que não são atletas e tem alto percentual de gordura) uma dieta muito restrita tem suas vantagens e como evitar o efeito rebote para esses indivíduos que não são atletas profissionais ?

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